sábado, 30 de janeiro de 2010

Na noite do dia 10 de Outubro de 2009, o presidente do México, Felipe Calderón, deu ordem para a polícia invadir e ocupar a companhia elétrica estatal

Cimi Atualizado Rosy lee Brasil Na noite do dia 10 de Outubro de 2009, o presidente do México, Felipe Calderón, deu ordem para a polícia invadir e ocupar a companhia elétrica estatal Luz y Fuerza del Centro (LyFC) e fechar a empresa. Um ato ilegal, pois o decreto que liquidava a empresa só foi publicado no dia seguinte (11/08/09). Da noite para o dia 44.000 trabalhadores/as eletricistas perderam seu emprego. Eles/as fazem parte do sindicato SME (Sindicato Mexicano de Eletricistas), que surgiu em 1914 quando as forças comandadas por Emiliano Zapata e Pancho Villa ocuparam a cidade do México. A ofensiva do governo contra o sindicato tem um objetivo claro, que é o de enfraquecer a estatal LyFC para depois privatizá-la.

A história começa em Julho de 2009 quando o SME elegeu sua nova diretoria. Quando um sindicato elege uma nova diretoria no México, ele deve notificar a Secretária de Trabalho e Prevenção Social que por sua vez emite a chamada 'toma de nota' para validar a existência do sindicato. Acontece que o secretário, Javier Lozano Alarcón, não emitiu a 'toma de nota' e desta forma fez com que o SME não fosse mais reconhecido pelo governo. Javier Alarcón alegou irregularidades nas eleições do SME, mas nunca chegou a apontar uma prova sequer sobre o assunto.

A partir daí começou uma ofensiva midiática contra os/as trabalhadores/as do SME e a estatal LyFC. A mídia corporativa começou a noticiar que a LyFC era uma empresa ineficiente e a reclamar da quantidade de dinheiro investido pelo governo na mesma. Além disso, os grandes meios chegaram a ridicularizar benefícios que os/as trabalhadores/as do SME tinham, noticiando-os como se fossem 'excessos'. Por exemplo, o acesso a 'terapia com golfinhos' que trabalha com crianças especiais e crianças com deficiências físicas. Alguns membros do SME possuem crianças que precisam desta terapia e por isso o sindicato lutou por tal benefício,mas nos noticiários de TV isso virou uma piada e mais uma forma de atacar o sindicato.

Leia a matéria completa.

Links: Blog do SME | Áudio da palestra dada por Humberto Montes de Oca Luna do SME



O primeiro passo para a privatização da energia no México foi permitir que empresas privadas pudessem vender energia para suas próprias fábricas e outras empresas. Entretanto, 50% da energia produzida por elas é vendida à Comisión Federal de Electricidad (CFE), um monopólio estatal de energia. Sendo que todas essas empresas privadas são multinacionais da Espanha, Franca e EUA.A CFE compra a energia dessas empresas pelo dobro do preço que vende, além de não cobrarem taxas de consumo de luz de grande empresas nacionais e multinacionais e até mesmo do consulado dos EUA. Entretanto, o governo nunca tomou nenhuma atitude contra a CFE, e junto com média, é somente contra a LyCF que desfere acusações de desperdício de dinheiro.

O primeiro passo para a privatização da energia no México foi permitir que empresas privadas pudessem vender energia para suas próprias fábricas e outras empresas. Entretanto, 50% da energia produzida por elas é vendida à Comisión Federal de Electricidad (CFE), um monopólio estatal de energia. Sendo que todas essas empresas privadas são multinacionais da Espanha, Franca e EUA. A CFE compra a energia dessas empresas pelo dobro do preço que vende, além de não cobrarem taxas de consumo de luz à grande empresas nacionais e multinacionais e até mesmo da energia usada pelo consulado dos EUA. Entretanto, o governo nunca tomou nenhuma atitude contra a CFE. Talvez porque através dela já existe um esquema de privatização disfarçado que o governo apoia.

São mais de 3 meses de luta dos/as trabalhadores/as do SME contra este ato ilegal do governo e o processo de privatização. De acordo com a constituição do México o presidente (poder executivo) não tem autoridade para extinguir uma empresa pública e mandar embora seus/suas trabalhadores/as. O poder judicial, que está do lado de Calderón, poderia ter entrado com um pedido de julgamento político contra o presidente, que provavelmente seria retirado do poder por causa de suas ações. O poder legislativo também não reagiu para confrontar este ato ilegal. Um golpe fortíssimo contra um dos mais antigos sindicatos do México. Já são mais de 100 dias sem receber seus salários, as contas bancárias foram congeladas e não foram pagos nenhum dos direitos trabalhistas, outra violação da lei cometida pelo governo através do secretário Javier Alarcón.

O movimento se sustenta através do apoio do povo mexicano, de suas famílias e de organizações internacionais. Ele vem promovendo manifestações e também campanhas de boicote, chamando a população a se recusar a pagar sua conta de luz. São 95 anos de existência e resistência, de acordo com Humberto Montes de Oca Luna, secretário do interior do SME: "O sangue revolucionário dos/as trabalhadores/as que estavam junto com Zapata e Pancho Villa em 1914 segue nas veias dos/as trabalhadores/as de hoje do SME. E por isso, essa geração de eletricistas não será a geração que vai entregar o patrimônio que temos, dos/as nossos/as irmãos/ãs que lutaram antes de nós".

Eles pedem por 3 formas de apoio:

1) Promover informações sobre este ato ilegal do governo mexicano;

2) Promover ações em prédios do governo mexicano como consulados e embaixadas pedindo por uma solução justa para os/as do SME;

3) Apoio financeiro - o SME teve suas contas bancárias congeladas, suas linhas de telefone foram cortadas, os advogados que estão no caso já ameaçaram abandoná-lo se não forem pagos, os jornais que publicam anúncios do SME já cortaram a parceria e os/as trabalhadores/as do SME estão sem receber (apesar de não ter dinheiro o SME não mandou nenhum/a trabalhador/a embora). As milhares de famílias dos/as trabalhadores/as estão sem ter uma renda desde Outubro de 2009.

10 anos resistindo contra a privatização:

1999: O presidente Ernesto Zedillo Ponce de León quis modificar a constituição para poder vender as empresas públicas e o SME e o povo mexicano conseguiram barra o processo.

2000-2006: O presidente Vicent Fox tentou fazer o mesmo, mas por outros meios, propondo que o serviço público deveria servir apenas os cidadãos e que empresas privadas deveriam servir os grandes consumidores (empresas e fabricas). Processo que também foi barrado pelo SME e o povo mexicano.

Em Assembleia, Índios do Ceará debatem e reivindicam direitos

28 de Janeiro de 2010 - 13h05



Atualizado Rosy Lee Brasil Em Assembleia, Índios do Ceará debatem e reivindicam direitos
Representantes dos 14 povos indígenas de 17 municípios se reúnem na XV Assembléia Estadual dos Povos Indígenas do Ceará, que acontece esta semana, de 26 a 30, na Aldeia Matões, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O tema central do encontro é “Progresso e respeito aos povos” e do programa constam debates sobre a situação das terras indígenas, políticas públicas e espiritualidade. Estão previstas também visitas, lançamento de livro e apresentações culturais.
Cerca de 260 delegados devem participar da Assembléia, avalia Antonio Ricardo Domingos da Costa, mais conhecido como Dourado Tapeba, integrante da Comissão Organizadora. Para ele, um dos pontos principais das discussões será a questão fundiária. “Queremos a demarcação e regularização das terras. Sem terra regularizada não podemos produzir nem construir escolas”, diz. A maior parte dos processos, lembra ele, está na Justiça. Segundo Dourado, apenas o processo referente a área dos Tremembés de Acaraú-Itarema, na região norte do Ceará, está concluído e homologado.

A busca de viabilização de políticas públicas, especialmente relativas à saúde e educação, é outro assunto de destaque na Assembléia. Reivindicações nesse sentido serão formalizadas no documento final a ser enviado às autoridades. Quanto à espiritualidade indígena, Dourado comenta ainda que na programação será expressa por meio de danças como o toré e o torém. “Outros rituais a gente não gosta de divulgar não”, explica.

Pesquisador da cultura indígena, o professor do curso de Psicologia da Universidade Federal do Ceará – Campus de Sobral, Babi Fonteles, coordena o curso de Magistério Indígena Superior Intercultural dos Povos Pitaguary, Tapeba, Kanindé, Jenipapo-Kanindé e Anacé (Misi-Pitakaja). Para ele, o fato de ser a décima-quinta edição da Assembléia, mostra a continuidade do movimento indígena local que começou ganhar força em meados dos anos 1980.

O encontro, em sua opinião, é o momento por excelência para os representantes das etnias debaterem, avaliarem e planejarem. A educação, diz Babi, é um dos temas centrais nas estratégias de luta. “Um conjunto de comunidades já se mobiliza por conta da educação”, ressalta.

Veja aqui a programação do encontro

Fonte: Agência da Boa Notícia

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Índios protestam em frente à sede da Funai em Londrina

Índios protestam em frente à sede da Funai em Londrina
Eles seriam contra a reestruturação da Funai.
De acordo com a PM, manifestação é pacífica.

Do G1, em São Paulo
Rosy Lee Brasil
Desde o início da tarde desta sexta-feira (29), índios protestam em frente à sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina. O motivo do protesto seria a reestruturação da Funai que, segundo os índios, vai fechar os escritórios no Paraná. De acordo com a Polícia Militar de Londrina, a manifestação é pacífica, apenas com a queima de pneus e pedaços de madeira.

Em nota, a Funai afirma que nenhuma unidade será fechada no estado do Paraná. A mudança estrutural prevista é a substituição da antiga Administração Executiva Regional de Curitiba por uma Coordenação Técnica Local, o que não prejudicaria o atendimento aos indígenas.


O principal objetivo da reestruturação é, segundo a Funai, otimizar o orçamento da Fundação e exigir dos Coordenadores Regionais e Coordenadores das Técnicas Locais um planejamento anual dos trabalhos que serão desenvolvidos nas terras indígenas.

"Os homens, tão enfadonhos quando se trata das manobras da ambição, são atraentes ao agirem por uma grande causa."pobreza

"Os homens, tão enfadonhos quando se trata das manobras da ambição, são atraentes ao agirem por uma grande causa."pobreza

Andrade Gutierrez rivaliza com Odebrecht em Belo Monte

Andrade Gutierrez rivaliza com Odebrecht em Belo Monte
Plantão | Publicada em 19/01/2010 às 13h11m

SÃO PAULO - A competição entre as empreiteiras em torno da usina hidrelétrica de Belo Monte começou a se desenhar nesse início de ano de forma bem distinta da que foi vista em torno da licitação das usinas do rio Madeira.

A construtora Andrade Gutierrez não será mais a parceira da Odebrecht na usina que será construída no Pará, como estava acertado até alguns meses atrás.

Pelo contrário, ela pretende formar um consórcio que vai rivalizar com a Odebrecht, que por sua vez negocia uma parceria com a sua principal rival no Madeira, a Camargo Corrêa.

"A Andrade Gutierrez vem estudando há algum tempo este projeto e, no momento, está intencionada a formar um consórcio com um grupo de empresas do qual a Odebrecht não faz parte", diz a nota enviada ao Valor pela assessoria de imprensa da empresa. "A construtora está aguardando as regras do leilão para definir mais detalhes de sua participação".

Já a Odebrecht e Camargo também confirmaram que estão negociando um consórcio investidor para Belo Monte. Essa parceria também deve se refletir no consórcio construtor da usina.

A expectativa é de que a licença ambiental do empreendimento seja concedida em fevereiro e o leilão aconteça em março desse ano.

Depois que o governo conseguiu desmontar o consórcio único que estava sendo articulado para o leilão, em meados do ano passado, essa configuração que agora se forma não era nem um pouco esperada. A expectativa era de que Camargo e Odebrecht rivalizassem novamente e esta última se unisse à Andrade, que ainda hoje é sua sócia na usina de Santo Antônio.

Em setembro do ano passado, um importante executivo do grupo Odebrecht garantiu que essa parceria no rio Madeira iria se repetir em Belo Monte.

A notícia da união entre Camargo e Odebrecht chegou a preocupar algumas fontes do governo, que viram na união uma nova ameaça de consórcio único. Isso porque a Camargo, por meio da CPFL Energia, formava um forte consórcio com Vale, que é autoprodutora, e Neoenergia, empresas com participação da Previ.

O consórcio da Andrade poderá arrastar a Cemig, outra parceira da Odebrecht em Santo Antônio. A estatal mineira era sócia da construtora na Light e, em breve, poderá ter a Andrade como sua acionista, no lugar do grupo AES.

Uma fonte importante do setor diz, entretanto, que a Vale não entraria nesse consórcio formado por Camargo e Odebrecht. E o que foi apelidado de "consórcio Previ" estaria desfeito, com a Neoenergia também livre para disputar contra a CPFL (na qual a Camargo é sócia majoritária).

Para ficar com os 20% de energia destinado a autoprodutores, Alcoa, Vale e Votorantim articulam um grupo único para participar em um dos consórcios que vai disputar o leilão de Belo Monte. O objetivo é garantir energia para a instalação de uma fundição de alumínio conjunta a ser erguida no país, com capacidade entre 400 mil e 500 mil toneladas. Um projeto desse porte vai requerer 700 MW. A energia responde por cerca de 35% do custo de produção da tonelada do metal. Em seu consórcio, a Odebrecht poderia contar com a controlada Braskem como sócio na condição de autoprodutor.

Em função da grandiosidade do projeto de Belo Monte, usina que terá capacidade de gerar mais de 11 mil MW de energia e vai requerer investimentos na casa das dezenas de bilhões de reais, o risco da construção também é elevado.

Uma fonte do setor diz que é possível que a Andrade acabe por fechar parceria com alguma construtora estrangeira, como as espanholas que, inclusive, já tiveram conversas com o governo federal para entrarem no país. Essa parceria poderia ser firmada via Neoenergia, que tem entre seus acionistas majoritários o grupo espanhol Iberdrola.

O interesse desse grupo no projeto de Belo Monte é tamanho que o presidente mundial da empresa esteve no Brasil no ano passado para aprovar sua participação no leilão. A agenda incluiu uma visita à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Entre os principais sócios da Iberdrola na Espanha está a construtora ACS.

Depois de uma longa e exaustiva jornada, chegou ao fim a maior renegociação de dívida da história do BNDES.

Andrade Gutierrez fecha acordo com BNDES e leva Cemig
Autor(es): Josette Goulart
Valor Econômico - 20/01/2010

atualizado Rosy lee Brasil
Depois de uma longa e exaustiva jornada, chegou ao fim a maior renegociação de dívida da história do BNDES. A Andrade Gutierrez vai assumir o pagamento de R$ 2,1 bilhões devidos pela empresa americana AES ao banco, num empréstimo feito há 12 anos. A construtora mineira vai levar em troca 14% do capital total da Cemig, uma das maiores empresas de energia do país. A AES por sua vez leva US$ 25 milhões da Andrade e limpa seu nome com o banco, podendo agora buscar novos financiamentos.

A movimentação da Andrade vai colocá-la numa posição importante no setor elétrico e ainda no próprio setor de construção. "Na Light não tinha obra, na Cemig vai ter bastante", comentou uma fonte do setor. A referência é feita em função da venda da participação da Andrade na Light, anunciada em dezembro, para a própria Cemig. Ou seja, a construtora agora é dona de 33% do capital votante da dona da Light. E não só da Light. A estatal opera uma das maiores empresas de distribuição do país, a Cemig Distribuição, que tem 10% do mercado de transmissão, e tem 7% do mercado de geração. Sua receita receita anual ultrapassa os R$ 10 bilhões.

O negócio já tem pareceres favoráveis de alguns órgãos da concorrência, mas mesmo antes de ter toda a aprovação fechada, a Andrade já deu algumas dicas de como será sua estratégia no setor de energia. Nesta semana, a companhia informou que está negociando sua participação no leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte para competir diretamente com um consórcio de peso a ser formado por Camargo Corrêa e Odebrecht, as duas maiores construtoras do país. A Camargo Corrêa é ainda dona de uma competidora direta da Cemig, a CPFL Energia.

Para levar adiante seu projeto, a Andrade vai desembolsar à vista R$ 500 milhões para pagar parte do empréstimo da AES com o BNDES. O Valor apurou que o saldo, de R$ 1,6 bilhão, será dividido em 10 anos por meio de uma emissão de debêntures privadas a ser adquirida pelo próprio banco e que vai receber juros atrelados ao CDI mais 1,5% ao ano, com garantia das ações e dividendos.

Todo esse acordo já foi aprovado pela diretoria do banco, mas só terá validade depois da homologação judicial, já que as ações da Cemig que tinham sido dadas como garantias ao empréstimo à AES estão bloqueadas. A decisão precisa ser tomada pela Justiça federal do Rio de Janeiro, onde a execução bilionária contra a Southern Electric Brasil (SEB), empresa que pertence à AES, corre desde 2004.

A Justiça chegou a definir que o pagamento de dividendos feito pela Cemig para a SEB fosse redirecionada para o BNDES, que ao longo desses anos recebeu R$ 800 milhões. A dívida foi contraída pela a AES para adquirir 33% das ações ordinárias, com direito a voto, da Cemig em 1997. A empresa fez um acordo de acionistas com o governo de Minas da época que lhe dava o direito de gerir a estatal. Mas no governo de Itamar Franco esse acordo foi invalidado na Justiça.

A decisão judicial definiu que tal acordo não poderia ser firmado, retirando direitos de Estado. De lá para cá, a AES, por meio da SEB, recorreu das decisões. Um dos principais pontos questionados era o fato de o acordo de acionistas conter cláusulas de arbitragem, e que, portanto, não seria assunto para ser tratado na Justiça. O caso estava no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2005. Porém, em 7 de dezembro, o ministro Joaquim Barbosa finalmente se manifestou e rejeitou o pedido da AES.

Coincidentemente, a decisão do ministro foi tomada no mesmo dia em que foi registrado o pedido de análise da operação da compra das ações da Cemig pela AGC Energia (da holding Andrade Gutierrez Concessões) no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Secretaria de Direito Econômico e a Secretaria de Acompanhamento Econômico já deram pareceres favoráveis á operação. Também a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) precisa dar sua anuência à operação.

Assim que aparada todas as arestas desta negociação, outra operação importante ficará em aberto: a venda da participação que o BNDESPar tem, de 49%, na Brasiliana, companhia dona da Eletropaulo e da AES Tietê. Uma coisa está ligada a outra. Pois foi pelo fato de o calote da AES no caso Cemig não estar ainda resolvido, que o governo voltou atrás na decisão de o BNDES vender sua parte na Brasiliana.

O banco chegou a contratar uma empresa para avaliação dos ativos, mas a ministra Dilma Roussef barrou a operação. Isso aconteceu porque a AES tem direito de comprar a parte do BNDES e anunciou que o faria caso o banco vendesse. Por isso, proliferam os protestos, uma vez a americana ainda era a maior devedora do banco. BNDESPar e AES se tornaram sócios na Brasiliana em função de uma renegociação do empréstimo que também fez para a compra da Eletropaulo, de US$ 1,2 bilhão, negociado em 2003 nessa operação.

Se a Brasiliana voltar ao palco, e AES não tiver cacife para bancar o direito de preferência, poderá ser a chance de a Odebrecht comprar a AES Tietê e, assim, seguir a trilha de suas concorrentes no setor - Camargo Corrêa e Andrade.

Leia trechos de grampos da Operação Castelo de Areia

sexta-feira, 27 de março de 2009, 00:36 | Onlin
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Leia trechos de grampos da Operação Castelo de Areia

atualizado rosy lee brasil

SÃO PAULO - A seguir, trechos de grampos que levaram à prisão na quarta-feira, 25, quatro executivos da Camargo Corrêa, duas secretárias e quatro doleiros.






Veja também:

Entenda a operação que atingiu a Camargo Corrêa

Leia a sentença do juiz federal Fausto De Sanctis

Grampos indicam doações ‘por fora’ de empreiteira

Sem citar nomes, Lula pede à PF fim de pirotecnia nas ações

DEM pedirá acesso à investigação

Tarso nega conotação política na ação que atingiu empreiteira

Camargo Corrêa é suspeita de doações ilegais a sete partidos

PF prende diretores da Camargo Corrêa por crimes financeiros; construtora repudia ação



No dia 15 de setembro do ano passado, às 12h54, Dárcio Brunato e Pietro Francisco Bianchi, diretores da empreiteira, discutiram o suposto esquema de doações ilegais aos partidos.



Pietro: O Dárcio, escuta... aquele dinheiro que foi mandado pra Fiesp, como é que foi...foi lá pra Brasília?



Dárcio: Não...a Fiesp...o que era do Agripino (senador José Agripino Maia) foi pro partido... pra aquela informação que ele havia mandado...



Pietro: Peraí, peraí, peraí, peraí...eram 200 e 300, não é isso?


Dárcio: Então...o que era 300 foi do jeito que eles pediram.



Pietro: Quem pediu?



Dárcio: O e-mail que o senhor recebeu deles que era pro partido...



No mesmo diálogo, Pietro e Dárcio voltam a falar sobre o repasse de "300" para o DEM, de Agripino, e outros "200" iriam para o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e que "aí foi 100 para o partido". Eles também listam as siglas que foram beneficiadas.



Pietro: 200 que era do Flexa...



Dárcio: Exato... aí foi 100 para o partido...



Pietro: Que partido?



Dárcio: O que ele havia sido solicitado inicialmente pro senhor...tem na relação...os outros 100...



Pietro: Quem tinha solicitado?



Dárcio: O Luiz Henrique (Luiz Henrique Bezerra, representante da Fiesp em Brasília) ...



Pietro: O Luiz Henrique... 100 pro partido?



Dárcio: Isso...



Pietro: Ã...e...



Dárcio: Os outros 100 ele dividiu em três partidos...PPS...PP (inaudível)



Pietro: PPS...PPT...



Dárcio: Não...é...PSB, PDT e PPS



Pietro: PT...PPS?



Dárcio: PPS...



Dárcio: Paulo, Paulo...



Pietro: Salvador...



Dárcio: Tá bom...



Pietro: Hein? Paulo, Paulo, Salv...PSB, Paulo, Salvador, Brasil e o outro é PT?



Dárcio: PP...



Na continuação, Dárcio fala de uma suposta "relação" de beneficiários das doações da Camargo Corrêa. A referência pode ter ligação com uma lista de partidos e parlamentares apreendida pela Polícia Federal no dia em que Castelo de Areia foi deflagrada.



Pietro: Não interessa...mas foi Agripino para o partido? Que partido?



Dárcio: Acho que é pro DEM, viu?



Pietro: Hein?



Dárcio: Tá na relação aí, Pietro...



Pietro: Eu não tô com a relação aqui...tá, no partido DEM...mas isso foi orientação de quem, do Guilherme?



Dárcio: Do Luiz Henrique para o Guilherme...



No dia 23 de setembro, às 10h19, Pietro entra em contato com um interlocutor identificado apenas como Marcelo. Eles negam que as doações sejam feitas "por dentro". Utilizam ainda o que a PF considera um código para encobrir a transação: "tulipa". Trechos do seguinte diálogo mereceram grifos no despacho.



Marcelo: Então... nós tínhamos... que realizar algumas coisas ontem... e hoje...



Pietro: Hum...



Marcelo: E não aconteceram



Pietro: Quais foram?



Marcelo: Aquela tulipa, lembra? Chegou a ver?



Pietro: Não...



Marcelo: Então...



Pietro: O que que é isso?



Marcelo: Eram algumas coisas para acontecerem ontem...



Pietro: Sim... mas o que é, campanha política?



Marcelo: É...



Pietro: Por dentro?



Marcelo: Não...



Pietro: É, então não tô sab... nem eu tô sabendo... tudo...



No dia 27 de janeiro deste ano, Pietro entrou em contato com Fernando Dias. Eles conversaram sobre um suposto pagamento ao deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). Pietro cita novamente uma relação de beneficiários. Chama-a de "aquela pasta das eleições", onde estão "todos os caras

que foram pagos".



Pietro: O que o Luiz tá querendo aí.



Fernando: É do José Carlos Aleluia, saber se foi pago alguma coisa no passado.



Pietro: Mas pagamos, não? (...)



Fernando: Diz que ele tem um pen drive lá embaixo.



Pietro: Além disso, na minha pasta lá, tem aquela pasta das eleições. E lá tem todos os caras que foram pagos.



Fernando: Eu procuro lá então.



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