quarta-feira, 2 de setembro de 2009

cacique Megaron Txucarramãe da etnia Kaiapó,é considerado como uma grande liderança dos povos indígenas - Chefe Kaiapó

é considerado como uma grande liderança dos povos indígenas - Chefe Kaiapó09/02/2009 às 7:48


atualização Rosy Lee Brasil







cacique Megaron Txucarramãe da etnia Kaiapó, da região de Colíder e Elias Januário, vice-reitor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), além de outras lideranças e acadêmicos indígenas, visitaram na manhã desta quinta-feira, 5, o prefeito de Barra do Bugres, Wilson Francelino de Oliveira. A liderança chegou ao município para conhecer de perto a primeira faculdade indígena da América do Sul que está localizada em Barra do Bugres.
Cacique Megaron, pôde perceber que o município de Barra do Bugres é considerada "terra de todos os povos", haja visto que em período de férias recebem 340 estudantes indígenas de 45 diferentes etnias De acordo com Megaron a recepção do prefeito Wilson foi calorosa e acima de tudo importante "O prefeito está de parabéns por apoiar uma faculdade indígena em seu município, além de estar propiciando troca de cultura entre os povos indígenas, em algumas etnias resgatando a língua e as culturas", disse Megaron revelando que tem o prazer de ter um de seus filhos estudando naquela universidade. "Desejo a ele e sua equipe coragem nessa oportunidade levantando sua trajetória e grandes sucessos na sua luta e nas suas parcerias", concluiu, agradecendo pelo acolhimento da nação indígena em Barra do Bugres

O cacique Megaron Txucarramãe é considerado como uma grande liderança dos povos indígenas - Chefe Kaiapó. "Ele reforça a nossa luta e a importância da nossa faculdade para o povos indígenas", disse o vice-reitor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Elias Januário, reconhecendo sua luta pelo meio ambiente, ecologia e convivência na diversidade e o direito à vida. "Ele viaja muito para outros países e ter vindo aqui conhecendo nosso programa e a nossa faculdade, ele estará abrindo portas para novos investimentos na educação indígena no pais e com certeza defendera a nossa faculdade e os nossos projetos pelo mundo a fora", observou, ressaltando a influência que o Cacique Megaron tem diante as diversas ONG.

Prefeito Wilson Francelino de Oliveira recepcionou a liderança indígena em seu gabinete e explanou as dificuldades que o município está enfrentando, mas que estará fazendo o que for possível para o crescimento da educação indígena em forma de parceria. "Hoje estou sendo eu o beneficiado de estar recebendo um chefe maior indígena a nível mundo e estou a disposição para contribuir no que for possível dentro dos parâmetros que a lei nos determina como executivo", acentuou o prefeito, pedindo desculpa pelo pouco período que teve na reforma do espaço que acomoda os acadêmicos que estava em péssimas condições. Haja vista que o mesmo assumiu no dia 1º de janeiro e dia 6 já estava chegando acadêmicos no município para estudar.


Fonte: Assessoria

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Direitos dos indígenas do Brasil violados diariamente




Mundo
Direitos dos indígenas do Brasil violados diariamente
Os povos indígenas do Brasil continuam a ver os seus direitos humanos violados diariamente, nomeadamente através de invasões das suas terras. A conclusão é de um estudo feito por um relator especial das Nações Unidas, James Anaya. O documento vai ser apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, no próximo dia 14 de Setembro. A jornalista Alexandra Costa revela mais pormenores sobre as condições de vida dos indígenas brasileiros.
2009-08-20 00:03:35
http://mp3.rtp.pt/mp3/wavrss/info/nacional/460370_40562.mp3
00:01:37
272474
http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=7&t=Direitos-dos-indigenas-do-Brasil-violados-diariamente.rtp&article=272474
Direitos dos indígenas do Brasil violados diariamente
2009-08-20 00:03:35
atualizado pOR Rosy Lee Brasil
Mundo
Direitos dos indígenas do Brasil violados diariamente
Os povos indígenas do Brasil continuam a ver os seus direitos humanos violados diariamente, nomeadamente através de invasões das suas terras. A conclusão é de um estudo feito por um relator especial das Nações Unidas, James Anaya. O documento vai ser apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, no próximo dia 14 de Setembro. A jornalista Alexandra Costa revela mais pormenores sobre as condições de vida dos indígenas brasileiros.

Estatuto dos Povos Indígenas é desafio para o Congresso Nacional

Índios




Estatuto dos Povos Indígenas é desafio para o Congresso Nacional
[25/08/2009 10:26]
atualização 28-9-2009por Rosy Lee Brasil
A articulação realizada pela CNPI, para aprovar um novo Estatuto para os Povos Indígenas, começa a se refletir no Congresso A proposta foi apresentada pelo ministro da Justiça ao presidente da Câmara dos Deputados, que recebeu também uma comissão de lideranças indígenas.



A nova proposta de Estatuto dos Povos Indígenas é resultado de dez seminários regionais e várias reuniões promovidas pela Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), que reúne representantes de órgãos do governo, indigenistas e lideranças indígenas As discussões foram necessárias para atualizar o Estatuto do Índio, de 1973, defasado em relação à Constituição Federal de 1988 e à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O resultado das discussões foi apresentado no início do mês ao deputado Michel Temer, presidente da Câmara, onde está parada, há 15 anos, a tramitação do Projeto de Lei (PL) nº 2057/91 do Estatuto das Sociedades Indígenas.

A proposta da CNPI, levada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, tem 249 artigos: institui o poder de polícia da Fundação Nacional do Índio (Funai); trata da gestão territorial e ambiental; das atividades econômicas indígenas e do uso sustentável dos recursos naturais renováveis; regulamenta a exploração de recursos minerais e hídricos, com direito de veto das comunidades afetadas; trata da consulta prévia; traz a possibilidade de os povos indígenas serem remunerados por serviços ambientais e também dispõe sobre saúde e educação, entre outros temas. Veja a proposta de Estatuto da CNPI aqui.

Na última reunião da comissão, que ocorreu dias 13 e 14 de agosto, o Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, declarou o compromisso do governo de ter uma proposta aprovada no Congresso ainda este ano. O objetivo é que seja posto em julgamento o recurso que paralisa a tramitação. Com isso, o PL nº 2057/91 seria submetido a emendas de plenário e depois poderia ser criada uma Comissão Especial para analisá-las e apresentar um substitutivo. Uma vez que seja aprovado na Câmara, o PL deve ser analisado pelo Senado, e – se sofrer alterações – retornar à Câmara. Abramovay disse que a entrega da proposta, enfatizada por ele como uma prioridade do governo, “foi bem recebida por Temer, que a considera uma agenda positiva”.

Outra prioridade da CNPI é o projeto de lei que cria o Conselho Nacional de Política Indigenista, encaminhado no ano passado pelo governo ao Congresso. Resultado de um ano de trabalho da CNPI, o Conselho, uma vez estabelecido, substituirá a Comissão, criada em caráter temporário, e sua missão será deliberar sobre a política nacional para os povos indígenas.

O clima anti-indígena no Congresso

A discussão sobre a nova lei que vai estabelecer direitos e deveres dos índios de acordo com a Constituição Federal chega em um momento no qual o Congresso está mobilizado para mudar regras e impedir demarcações.

Enquanto o PL do novo Estatuto parou de tramitar em 1994, pipocaram dezenas de proposições que alteram a forma como as Terras Indígenas são demarcadas, autorizam a construção de hidrelétricas e hidrovias e regulamentam a exploração de minérios em TIs, entre outras.

Em 2008 foram apresentadas pelo menos 15 novas proposições sobre direitos indígenas. A maioria delas visa a restringir os direitos garantidos na CF de 1988, principalmente submetendo a demarcação de terras ao Congresso Nacional. Deputados apresentaram seis novos projetos de decretos legislativos para sustar atos do executivo relativos a demarcação de terras indígenas. Veja mais sobre as proposições aqui.

Parlamentares de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e de Santa Catarina, por exemplo, apresentaram proposições para sustar as portarias do ministro da Justiça que declaram as Terras Indígenas Manoki, dos índios de mesmo nome, TI Batelão, dos Kaiabi, no Mato Grosso, e a Terra Indígena Ibirama La-Klanô, dos Xokleng, Kaingang e Guarani, em Santa Catarina. E isso, apesar de haver entendimento no Supremo Tribunal Federal (STF) de que as portarias que declaram uma terra como indígena e os decretos que homologam as demarcações ou que regulamentam a forma como as demarcações são feitas, são atos administrativos, e que, portanto, estariam fora do controle do Congresso Nacional - que alcança apenas os atos normativos do Executivo.

Até mesmo o decreto nº 1775/96 ,do Presidente da República, que dispõe sobre o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas, é alvo de uma proposta que pretende suspende-lo. Também a iniciativa da Funai, de finalmente buscar solução adequada para os índios Guarani do Mato Grosso do Sul, repercutiu negativamente na Câmara dos Deputados. Duas propostas buscam sustar as portarias da Funai de identificação das terras da maior população indígena do País – os Guarani – e a que vive a situação mais dramática. Mortes recorrentes de crianças por desnutrição, desestruturação social, suicídios causados pela privação de acesso à terra e aos recursos naturais necessários à sua sobrevivência física e cultural freqüentam assiduamente as páginas dos jornais. Veja mais aqui.

O desafio é conseguir apoio e mobilização suficientes para fazer com que o PL do Estatuto volte a tramitar e, assim, fazer com que as discussões relativas aos direitos indígenas sejam realizadas dentro do seu contexto, em vez de distribuídas em diferentes proposições.

Demarcação é competência do Executivo e não do Congresso Nacional

O ministro Ayres Britto do STF, relator da ação popular contra a demarcação da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima, destacou, em seu extenso voto, durante o julgamento, que a competência pela demarcação é do Executivo e não do Legislativo, como querem alguns parlamentares federais. Em um item especificamente dedicado ao tema, o ministro ajuiza “que somente à União compete instaurar, sequenciar e concluir formalmente o processo demarcatório das Terras Indígenas, tanto quanto efetivá-lo materialmente. Mas instaurar, sequenciar, concluir e efetivar esse processo por atos situados na esfera de atuação do Poder Executivo Federal, pois as competências deferidas ao Congresso Nacional, com efeito concreto ou sem densidade normativa, se esgotam nos seguintes fazeres...” e passa a citar a autorização para exploração de recursos minerais e hídricos em terras indígenas.

Já que as coordenadas constitucionais são no sentido de que cabe exclusivamente ao Poder Executivo realizar as demarcações, existem propostas no Congresso Nacional para alterar a própria Constituição Federal, indo de encontro ao entendimento de que os artigos que garantem os direitos indígenas são cláusulas pétreas e, portanto, não podem ser alterados.

Depois da segunda parte do julgamento da TI Raposa-Serra do Sol, que confirmou a demarcação, parlamentares de Roraima, como o senador Augusto Botelho, propuseram projetos de lei que alteram o Estatuto do Índio, para permitir, por exemplo, que terceiros não-indígenas possam ter acesso, por meio de parceria, aos recursos naturais exclusivos dos índios. Existem também várias propostas na Câmara e no Senado para regulamentar a exploração de recursos minerais e hídricos.

Obras e a falta de Consulta Prévia

A ausência de definição do que seja de relevante interesse público da União, para justificar as obras que podem ser construídas excepcionalmente em Terras Indígenas, levou um deputado do Mato Grosso a propor um Projeto de Lei Complementar (PLP) que declara rodovias, ferrovias e hidrovias como tais. Enquanto não houver a definição do que seja o relevante interesse da União não pode haver obras em Terras Indígenas que atentem contra o direito dos índios à posse permanente da terra e de usufruto exclusivo dos recursos naturais que nelas existem.

Do Senado veio ainda a proposta do senador Edison Lobão Filho, do PMDB/MA, de alterar o Estatuto do Índio para propor critérios de imputabilidade aos indígenas. O senador, filho do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, agiu possivelmente motivado pelo episódio que envolveu os Kayapó e um engenheiro da Eletronorte, em maio do ano passado, durante encontro para discutir hidrelétricas em Altamira (PA). Esse encontro ocorreu vinte anos depois de outro realizado na mesma cidade de Altamira, quando os índios recusaram a proposta da Eletronorte de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio XIngu. Em 2008, a empresa voltou com um projeto mais enxuto, mas ainda danoso aos direitos indígenas. Veja mais aqui. Não foram apresentados no Congresso projetos que busquem a eficiência no uso da energia, em prédios públicos, por exemplo, nem de incentivo a novas tecnologias de geração de energia ou de repotenciação de usinas hidrelétricas já instaladas. Criminalizar os índios que protestam em defesa de suas terras e recursos naturais é bem mais fácil.

O direito de consulta dos povos indígenas em relação a medidas administrativas e legislativas que os afetem, previsto na Convenção 169 da OIT, em vigor no Brasil desde 2004, poderia ajudar a criar um espaço de diálogo entre o poder público e comunidades indígenas em casos específicos, mas não vem sendo aplicado, o que pode tornar mais agudos os conflitos como no caso dos Kayapó e a Hidrelétrica Belo Monte. O Decreto Legislativo que autorizou a construção da obra em 2005 não consultou as comunidades indígenas que por ela serão afetadas.

Nesse ambiente hostil aos direitos indígenas, mobilização e fortes alianças serão fundamentais para a aprovação de uma lei que faça jus aos avanços obtidos nos últimos vinte anos.




ISA, Ana Paula Caldeira Souto Maior.

Indenização e reparação pela escravidão no Brasil

Indenização e reparação pela escravidão no Brasil


Assunto: Devido so 400 anos de escravidão no Brasil, o povo negro foi renegado a não ter acesso aos bens para sua sobrevivencia digna, com base nisto exige-se reparação em vista de sua inclusão social e raial na politica econoica do Brasil.




Proposta de Lei

Fica decretado que os negros do Brasill e sua descencia possa te acesso aos bens materias para o seu pleno desenvolvimento. O holocaussto que destruiu a dignidade dos povos africanso vindo servir aos portugueses deixaram uma cultura rica e diversos manifesto. Mas pra repara é precio ir além e instituir a capacidade de fazer valer o direito coletivo aos bens do Brasil, que forma construido commuita força e coragem.


Artigo 1° Fica decretado para o governo brasileiro reparar e indenizar a escravidão dos negros descendentes que sofreram e sofrem danos no periodo da escravidão. Esta Lei será regulamentada pelos movimentos quilmbolas em assembleias realizadas por sua lideranças, com anunência do e apoio do governodo Brasil e os movimentos negros em atividades com mais de tres anos.
Esta Lei em vigor da data de sua publicação.


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Forma longos anos de sofrimento e dor que o povo negro passou nas mãos dos capitães do mato. vigiados por todo tipo de vigilância para não ter acesso aso bens disponiveis no periodo escravocrata. após a Lei Área não houve reparação pelo prejuizo que sofrem na escravatura. Ainda hoje há uma grande divida soical e racial como povo negro. O governo Brasileiro tem a responsabilidade de reparar a escravidão com politicas afirmativas. Uma delas será indenizar os descendentes de negros que sofreram escarvidão, ou foram se refugiar nos quilombos.



Obs: Todas as propostas de lei podem ser citados na íntegra ou parcialmente, desde que seja citada a fonte, no caso o site www.jurisway.org.br.
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Almir Sater diz que a ‘terra é do índio’, mas Lula tem de indenizar

27/08/2009 17:28
Almir Sater diz que a ‘terra é do índio’, mas Lula tem de indenizar

Celso Bejarano Jr. e Jacqueline Lopes




O músico e pecuarista Almir Sater, o mais novo filiado da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), disse nesta tarde no Parque Laucídio Coelho, em Campo Grande, que o governo de Lula devia pagar indenização pelas terras indígenas. A referência tem a ver com o estudo da Funai que quer saber se há fazendeiros vivendo em áreas dos índios.

A declaração de Sater parece com as já ditas pelos produtores tradicionais, mas o tom dado pelo mais famoso músico sul-mato-grossense difere da dos parceiros por uma razão. Ele admite que as terras hoje ocupadas por produtores rurais, eram dos índios.

“O Brasil inteiro era dos índios, assim como eles [os índios] não gostaram que suas terras fossem tomadas, os produtores rurais também não gostariam que isto acontecesse”, disse o músico durante o ato de filiação.

Almir Sater disse que é pequeno produtor e dono de áreas no Pantanal e ainda na região de Maracaju. Não revelou, contudo, quantos bois ele possui.

“Tenho respeito pelos nossos irmãos [índios]. Tivemos sorte em comprar ou herdar nossas terras, mas sei que tem trabalhador sem terra melhor do que nós. Respeito a todos eles”.

“Agora, o Lula vive dizendo que tem dinheiro em caixa, uns R$ 200 bilhões, então que ele que pegue uma cifra dessas e compre as terras e devolvam aos índios”, disse Sater.

A defesa do músico, também ator, é corrente entre os produtores rurais do Estado. Ocorre que isto só seria possível se a Constituição fosse modificada.

E a bancada ruralista já se manifestou quanto às mudanças. Sem a alteração, a União não poderia comprar a área porque a terra indígena pertence a ela, isto é, estaria pagando por uma terra que já é sua. Alessandra Carvalho





A Funai e os índios vivem uma queda-de-braço desde o ano passado, quando o órgão anunciou a pesquisa antropológica. Os produtores, por meio de suas entidades, resistem a ideia do levantamento.

Tanto que moveu ação judicial contra a demarcação. Inicialmente o recurso fora aceitado, mas caiu nesta semana. Os fazendeiros acham que o estudo da Funai pode mexer no território de 26 dos 78 municípios e isto prejudicaria a economia estadual na faixa de fronteira onde se concentra o menor IDH (Indíce de Desenvolvimento Humano) de Mato Grosso do Sul. (Saiba mais sobre o assunto em notícias relacionadas

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Aquecimento global ameaça sobrevivência de tribo no Xingu

06/08/09 - 11h23 - Atualizado em 06/08/09 - 11h23

Aquecimento global ameaça sobrevivência de tribo no Xingu
Base da alimentação, peixes estão desaparecendo dos rios.
Incêndios começam a ocorrem em áreas que não queimavam.

Do 'New York Times'
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sem atualização por Rosy Lee Brasil
Enquanto os jovens da tribo Kamaiurá, nus e pintados, se preparam para os jogos de guerra ritualizados de um festival, eles finalizam seu assustador canto com um som de sopro – uma tentativa simbólica de eliminar o odor de peixe, para que não sejam detectados pelos inimigos. Durante séculos, peixes de lagos e rios da selva têm sido o principal item da alimentação dos kamaiurás, e a mais importante fonte de proteína.




Peixes são a maior fonte de proteína dos índios Kamaiurás, que vivem em Mato Grosso, no Parque do Xingu. O alimento, contudo, está cada vez mais escasso. (Foto: Damon Winter/The New York Times)


saiba mais
Veja novas fotos dos índios isolados do Acre Incêndio devasta área equivalente a Brasília em terra indígena de MT Inpe detecta 578 km² de desmatamento na Amazônia em junho Com época menos chuvosa, aumentam as queimadas na Amazônia Cacique diz que índios da Amazônia precisam de 'guerreiros políticos' Vítimas de caçadores, 13 tartarugas-da-Amazônia são apreendidas no PA Reserva no Xingu forma nova turma de bombeiros indígenas
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Porém, o cheiro de peixe já não é mais um problema para os guerreiros. O desmatamento, e, segundo sustentam alguns cientistas, as mudanças climáticas globais, estão deixando a região amazônica mais seca e mais quente, dizimando populações de peixes e colocando em risco a própria existência dos kamaiurás. Assim como outras pequenas culturas indígenas do mundo todo, com pouco dinheiro ou sem capacidade de se mover, eles estão lutando para se adaptar às mudanças.

"Nós, os macacos velhos, aguentamos a fome, mas os pequenos sofrem – estão sempre pedindo mais peixe", disse Kotok, o chefe da tribo, parado em frente a uma cabana contendo as flautas sagradas da tribo, numa noite recente. Ele usava uma camiseta sobre a vestimenta tradicional da tribo, que é basicamente nada.

Kotok, que, como todo kamaiurá, possui apenas um nome, contou que os homens agora pescam noites inteiras sem uma mordida em suas iscas, em riachos onde os peixes costumavam ser abundantes. Todos nadam com segurança em lagos que, antes, transbordavam de piranhas.

Responsável por três esposas, 24 filhos e centenas de outros membros da tribo, ele disse que sua existência, antes idílica, havia se tornado um pesadelo. "Estou estressado e inquieto – tudo mudou tão depressa. A vida se tornou muito dura", disse, em português, falando através de um intérprete. "Como chefe, tenho de ter visão e olhar a estrada mais adiante, mas não sei o que acontecerá com meus filhos e netos".

Extinção cultural

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas diz que até 30% dos animais e plantas enfrentam um risco elevado de extinção, caso as temperaturas globais subam dois graus Celsius nas próximas décadas. Contudo, antropólogos também temem uma onda de extinções culturais em dezenas de pequenos grupos indígenas – a perda de suas tradições, suas artes, sua linguagem.

"Em alguns lugares, as pessoas terão de sair para preservar sua cultura", disse Gonzalo Oviedo, conselheiro-sênior de política social na União Internacional para Conservação da Natureza, em Gland, na Suíça. "Mas alguns grupos pequenos e marginais vão ser assimilados e desaparecer".

Almoço de macacos

Para se virar sem os peixes, as crianças estão comendo formigas em seu tradicional e esponjoso pão achatado, feito de sua farinha de mandioca tropical. "Não há muitas por aí, pois as crianças as comeram", disse Kotok sobre as formigas. Algumas vezes, membros da tribo matam macacos para comer sua carne. Porém, segundo o chefe, "você precisa comer 30 macacos para encher o estômago".

Vivendo no meio da floresta, com pouco dinheiro e nenhum transporte, apontou ele, "não temos como ir à loja de mantimentos buscar arroz e feijão para substituir o que está faltando".

Tacuma, o velho pajé da tribo, disse que a única ameaça rivalizando com a mudança climática foi o vírus do sarampo, que chegou ao centro da Amazônia em 1954, matando mais de 90% dos kamaiurá.

Tribos do gelo

Culturas ameaçadas pela mudança climática permeiam todo o mundo. Elas incluem habitantes de florestas tropicais como os kamaiurá, que enfrentam a diminuição dos suprimentos de comida, comunidades árticas remotas, onde as únicas estradas eram rios congelados que hoje fluem na maior parte do ano, e residentes de ilhas baixas, cuja terra é ameaçada pela alta dos mares.

Muitos povos indígenas dependem intimamente dos ciclos da natureza e tiveram de se adaptar às variações climáticas – uma estação de seca, por exemplo, ou um furacão que mata animais. Globalmente, entretanto, a mudança é grande, rápida e inevitável, levando a apenas uma direção: um clima mais quente.

Assentamentos de esquimós, como Kivalina e Shishmaref, no Alasca, estão "literalmente sendo varridos do mapa", disse Thomas Thornton, antropólogo que estuda a região. É que o gelo do mar, que há muito protegia sua costa, está derretendo, e os mares ao redor estão aumentando. Sem gelo endurecido fica difícil, quando não impossível, caçar focas, um pilar da alimentação tradicional.

Alguns grupos esquimós estão processando poluidores e nações desenvolvidas, exigindo indenizações e ajuda na adaptação. "Na opinião deles, eles não causaram o problema. Porém, seu estilo de vida está sendo ameaçado pela poluição dos países desenvolvidos", disse Thornton, pesquisador do Environmental Change Institute, na Universidade de Oxford. "O recado é que isso diz respeito a pessoas, e não apenas ursos polares e vida selvagem".

Acordo internacional

Em dezembro passado, durante negociações climáticas em Poznan, na Polônia, a Organização das Nações Unidas criaram um "fundo de adaptação", pelo qual as nações ricas poderiam, em teoria, ajudar os países pobres a se adaptar às mudanças climáticas.

No entanto, as contribuições são voluntárias, e até agora não houve nenhuma, explica Yvo De Boer, secretário-executivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. "Ajudaria muito se os países ricos pudessem assumir compromissos financeiros", disse.

Migração impossível

Ao longo da história, a reação final de culturas indígenas ameaçadas por condições climáticas insustentáveis, ou conflitos políticos, sempre foi se mudar. Hoje, entretanto, isso muitas vezes não é possível. As terras ao redor dos nativos estão geralmente ocupadas por uma população em expansão, e grupos que já foram nômades estão se estabilizando, construindo casas e escolas, e até mesmo declarando a criação de um estado.

Para os kamaiurás, as opções parecem limitadas. Eles vivem no meio do Parque Indígena Xingu, um vasto território que já foi escondido pela floresta, mas que hoje é cercado por fazendas e ranchos.

Desmatamento

Cerca de 12.950 quilômetros quadrados de floresta amazônica estão sendo desmatados anualmente, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Com muito menos verde, há menos umidade no ciclo de água regional, trazendo imprevisibilidade a chuvas sazonais e deixando o clima mais seco e quente.



Aprenda a vigiar o desmatamento usando o mapa do Globo Amazônia .

Isso alterou os ciclos da natureza que há muito regulavam a vida kamaiurá. Eles acordam com o sol e não possuem refeições definidas, comendo quando sentem fome.

Os estoques de peixe começaram a escassear na década de 1990, e "simplesmente desmoronaram" a partir de 2006, disse Kotok. Com temperaturas mais altas, menos chuva e menos umidade na região, os níveis da água nos rios estão extremamente baixos. Os peixes não conseguem chegar a seus locais de desova.

No ano passado, pela primeira vez, a praia do lago próximo à aldeia não estava coberta por água na estação chuvosa, tornando inútil o método da tribo para capturar tartarugas – colocando comida em buracos que se enchem, atraindo os animais.

Ciclos alterados

A agricultura da tribo também sofreu. Durante séculos, os kamaiurás faziam suas plantações quando determinada estrela aparecia no horizonte. "Quando ela aparecia, as pessoas celebravam, pois era o sinal para se plantar mandioca, já que viria o vento e as chuvas", lembra Kotok. Porém, há sete ou oito estações, a aparição da estrela deixou de ser seguida por chuva, uma divergência fatal, forçando a tribo a adaptar seu calendário.

Desde então, tudo tem sido um jogo de tentativa e erro. No ano passado, famílias tiveram de plantar sua mandioca quatro vezes – ela morreu em setembro, outubro de novembro, por falta de umidade no solo. Somente em dezembro o plantio prosperou. O milho também fracassou, conta Mapulu, irmã do chefe. "Ele brotou e secou", disse ela.

Especialista em plantas medicinais, Mapulu conta que uma raiz usada para tratar diarreia e outras doenças se tornou praticamente impossível de encontrar, pois a vegetação da floresta havia mudado. A grama que eles usavam para unir as colunas principais de suas cabanas também se tornou difícil de achar.

Contudo, talvez o maior medo dos kamaiurás sejam os incêndios florestais de verão. Antes úmida demais para queimar, a floresta aqui está em perigo pelo clima seco. Em 2007, o Parque Indígena Xingu pegou fogo pela primeira vez. Milhares de acres foram destruídos.

"Todo o Xingu estava queimando – isso machucou nossos pulmões e olhos", diz Kotok. "Não tínhamos para onde escapar. Nós sofremos junto com os animais"

Na mitologia dos índios tukanos, que vivem no noroeste do Amazonas, um banquinho de madeira é considerado um objeto sagrado.

Na mitologia dos índios tukanos, que vivem no noroeste do Amazonas, um banquinho de madeira é considerado um objeto sagrado. Pela lenda desses indígenas, Deus estava sentado num banco quando resolveu criar o homem.

sem atualização por ROsy Lee Brasil

Só que o banco de “ãmakõ nhecã”, o avô do universo em tukano, era de quartzo e feito num piscar de olhos celestiais. Reproduzir um móvel desses, à imagem e semelhança do banco de Deus, dá muito trabalho, a começar pela procura da madeira, nem sempre disponível perto de casa.



“O banco, para nós, para ser o símbolo dos tukanos, ele dá o poder de autoridade, dá o poder de ser um grande pensador, e ter uma grande responsabilidade”, explica Maximiliano Menezes, diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

Pelo Rio Tiquié, Celestino Resende, artesão tukano, procura uma parente da seringueira, a soveira, árvore de madeira macia. O manejo é rigoroso e tem autorização da Funai e do Ibama. Uma só árvore serve de matéria-prima para mais de vinte banquinhos.

O artesanato que faz dos tukanos os grandes mestres do entalhe do Alto Rio Negro é feito a machadadas. Os banquinhos são esculpidos nos blocos de madeira maciça. O mestre Celestino vai fazendo o pamarirrori, o delicado desenho que reproduz, no assento, a pelagem dos animais da floresta. Ele leva um dia inteiro para fazer um banco.



Sua família faz esses pequenos assentos há incontáveis gerações. “Desde aonde nasceu essa história do banco, veio passando até chegar aqui a nossa vez”, conta. O pai de Celestino, Aprígio, diz em tukano que o banco de Deus torna o homem sábio.

Com a produção desses banquinhos ainda não dá pra ganhar dinheiro, embora eles já tenham até sido vendidos em shoppings de decoração de São Paulo.

Mas os índios pensam em incrementar a produção. “Temos que buscar nossa autonomia, essa autonomia tem partir da gente. Nós mesmos é que temos que trabalhar, produzir, vender e ter nossas coisas”, comenta Menezes.