"Se achamos que o nosso objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela terra é acumular riquezas, então não temos nada a aprender com os índios. Mas se acreditarmos que o ideal é o equilíbrio do homem dentro da sua própria família, e dentro de sua comunidade, então os índios têm lições extraordinárias para nos dar."
(Claudio Villas-Bôas ; sertanista)
"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."
Profecia feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma india urbana que cre Rosy Lee Brasil
"O índio brasileiro tem direitos. Direitos definidos na Constituição. Eu insisto neste ponto, na existência de direitos, porque tenho ouvido e lido palavras a respeito da conveniência de respeitar esses direitos. No momento em que eu abandono a Constituição, acabou o Direito, acabou a Justiça, acabou a paz social. Não há inconstitucionalidades convenientes"(Dalmo Dallari ; jurista) "
Índios rendem três em aldeia no Maranhão 26/06/2009 Fonte: G1 - http://g1.globo.com/
Três funcionários da Secretaria da Educação do Maranhão (Seduc) e um funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai) foram detidos em uma aldeia que fica a cerca de 70 quilômetros do município de Arame (MA), na noite de quinta-feira (25). Os índios pedem escolas para as crianças da comunidade.
Uma das reféns disse, por telefone, que a equipe está percorrendo aldeias indígenas desde terça-feira (23). Das 32 unidades, foram visitadas 15. Na aldeia em que o grupo foi rendido, deveriam funcionar duas escolas, mas a construção de uma delas não foi concluída e outra teve parte da estrutura destruída pela queda de uma árvore, durante as chuvas. \" Nós não estamos presos, mas não podemos sair da aldeia\", disse a refém.
Os índios pedem propostas concretas para a retomada das atividades escolares. O G1 tenta entrar em contato com a Secretaria da Educação.
Você vai deixar o governo desmontar a política ambiental? atualizado por Rosy Lee Brasil 26 06 2009 A legislação ambiental brasileira está sob ataque e a Amazônia está sendo privatizada. Não deixe que isso aconteça. Junte-se a nós nessa luta e acompanhe o andamento da política ambiental no Brasil. Acesse a página de cyberações do ISA e assine os dois abaixo-assinados. Um pede ao Presidente Lula veto à MP 458. O outro protesta contra o desmonte da política ambiental que está em curso. Mensagens em seu nome serão encaminhadas ao Presidente e outras autoridades como ministros, senadores e deputados. Participe!
Yanomami e Yekuana propõem criar território etnoeducacional específico para garantir educação de qualidade atualização Rosy Lee Brasil
Durante a Conferência Regional de Educação Indígena realizada em Boa Vista (RR) de 1º a 5 de junho, delegados Yanomami e Yekuana propuseram desmembrar o território maciço Guianense Ocidental e criar território específico Yanomami e Yekuana para contemplar suas especificidades
A Conferência Regional de Educação que reuniu todos os povos indígenas de Roraima em junho, em Boa Vista, contou com a participação de dezesseis delegados Yanomami e de oito Yekuanas, que juntos discutiram o que pretendem com a educação escolar na Terra Indígena Yanomami. Daí surgiu a proposta do desmembramento do território Maciço Guianense Ocidental e de criação de um território etnoeducaional exclusivo Yanomami e Yekuana. Sugeriram estruturar um território piloto com autonomia de gestão financeira e administrativa além da gestão pedagógica.
Índios
Delegados Yanomami e Yekuana na Conferência Regional de Educação
Para isso será necessário que os recursos destinados a esse território etnoeducacional sejam repassados, fundo a fundo, pelo Fundeb e Programa Nacional de Alimentação Escolar Indígena (Pnaei) para as escolas Yanomami e Yekuana. Para tanto, será preciso elaborar regras específicas de responsabilização dos gestores do território para que os recursos sejam aplicados adequadamente e os planos de trabalho sejam executados. Caso não sejam executados penalidades seriam aplicadas e os recursos teriam de ser devolvidos. A fim de garantir a lisura do processo e a execução do plano de trabalho o Ministério Público Federal teria de acompanhar a execução no âmbito do Território Etnoeducacional Yanomami e Yekuana.
A Conferência Regional abordou cinco eixos temáticos: Territorialidade e Autonomia dos Povos Indígenas; Políticas, Gestão e Financiamento da Educação Escolar Indígena; Práticas Pedagógicas Indígenas; Participação e Controle Social; e Diretrizes para a Educação Escolar Indígena. O professor e vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, Anselmo Xiropino, participou como palestrante na mesa que tratou das práticas pedagógicas e ressaltou a caracterização e organização diferente das escolas Yanomami em comparação a escolas não indígenas. Entre os Yanomami, o calendário e o ensino são discutidos com a comunidade, e por essa razão as escolas não seguem o calendário do Estado de Roraima, conforme exige a Secretaria Estadual de Educação. Em seu ritmo próprio. As propostas resultantes da Conferência Regional serão levadas à aprovação da I Conferência Nacional de Educação Indígena, que será em Brasília, de 21 a 24 de setembro.
Conferências locais
Em fevereiro e março deste ano, as comunidades Yanomami das regiões Kayanau, Toototopi, Auaris e Parawau realizaram as conferências locais onde iniciaram o debate das propostas que levaram à Conferência Regional. Nesse processo tiveram apoio e acompanhamento do dos assessores do Projeto Pró-Yanomami do Programa Rio Negro do ISA e orientação da Organização dos Professores Indígenas de Roraima (Opir). As conferências locais foram baseadas em três perguntas, propostas pela comissão organizadora da Conferência Nacional: Por que queremos a escola? O que já conquistamos? O que fazer para avançar na educação que queremos?
As comunidades Yanomama, Yanomae, Sanoma e Yanomami responderam às questões destacando que querem escola para aprender a ler e escrever nas línguas Yanomami e em Português, e que por meio da escrita pretendem proteger o território, garantir a assistência em saúde e formar novas gerações de Yanomami. Disseram ainda que já conquistaram o decreto de criação de 21 escolas estaduais, a contratação de 24 professores, o curso de formação dos professores Yanomami no Magistério Yarapiari, e esperam que este seja reconhecido no Conselho Estadual de Educação de Roraima assim como esperam a certificação dos professores Yanomami pelo Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima (Ceforr). Destacaram também a necessidade de criar novas escolas, contratar mais professores, publicar os materiais produzidos na escolas e querem contar efetivamente com o apoio do governo brasileiro que aqui foi muito restrito.
Professores fazem propostas de melhoria
Em maio, 80 professores Yanomami de onze regiões da Terra Indígena Yanomami -Alto Catrimani, Baixo Catrimani, Missão Catrimani, Auaris, Parawau, Paapiu, Kayanau, Toototobi, Alto Mucajaí, Ajarani e Demini - discutiram a situação das suas escolas e elaboraram propostas de melhoria das condições da educação escolar em suas comunidades. Reafirmaram os pontos levantados nas conferências locais e acrescentaram a necessidade de acompanhamentos pedagógicos em suas escolas, realizados em parceria com a Secretaria Estadual de Educação e as organizações de apoio como ISA e a Diocese. Solicitaram que a merenda escolar seja comprada nas comunidades para assegurar uma alimentação adequada. Sobre a estruturação física das escolas os Yanomami propuseram alternativas que respeitam a sua dinâmica de deslocamentos e também diminuem gastos públicos utilizando na construção das escolas matérias primas e mão-de-obra locais. Os professores destacaram ainda a necessidade de reconhecer e implementar os Projetos Políticos-Pedagógicos das escolas respeitando as concepções pedagógicas, o calendário e demais questões que as diferenciam. Solicitaram finalmente uma escola de educação básica Yanomami e apoio para ingressar no ensino superior depois da formatura no magistério que acontecerá no final de 2009.
Indígenas lançam cooperativa de turismo em Roraima Plantão | Publicada em 22/06/2009 às 14h39m Portal Amazônia
BOA VISTA - Fomentar o desenvolvimento sustentável de comunidades indígenas por meio do turismo étnico e ecológico. Esta é a proposta da Cooperativa Indígena de Turismo do Estado de Roraima Moori Paata (Beleza da Terra na língua Macuxi), lançada no último sábado na comunidade Nova Vida, no município do Uiramutã, nordeste de Roraima. O governador Anchieta Júnior (PSDB), convidado para participar do lançamento junto com outros secretários, foi recebido pelo presidente da Cooperativa, Jeremias Vieira da Silva, na cachoeira do Urucá. O pronunciamento oficial foi realizado na Comunidade Nova Vida, com a presença de dezenas de indígenas da região.
- A ideia é nova, nasceu há pouco tempo. Queremos quebrar paradigmas quando dizem que o índio não administra, não trabalha, que tem a terra e vai ficar parado - disse o presidente da Cooperativa Jeremias da Silva ao jornal Folha de Boa Vista.
A cooperativa teve como objetivo, segundo ele, mostrar que os indígenas estão atentos às oportunidades de mercado. Mas reconhecem que ainda não estão prontos para atender a demanda ideal em curto prazo. De início a cooperativa irá trabalhar apenas com a estrutura existente.
O pensamento é explorar as belezas das cachoeiras como também as paisagens. Posteriormente os indígenas pretendem se organizar e criar infraestrutura adequada para atender os turistas, como pousadas e restaurantes, de maneira legal.
- A cooperativa já está registrada na OCB [Organização das Cooperativas Brasileiras] e em pouco tempo teremos condições de proporcionar uma estrutura legal para os turistas. Fizemos o lançamento aqui para trabalhar com o que temos - frisou.
O presidente da cooperativa acredita que a permanência de turistas nas reservas indígenas Raposa Serra do Sol e São Marcos (em Pacaraima, norte do Estado) se dará de maneira legal, segundo as exigências dos indígenas, pela agência que os representa.
- Isso que estamos fazendo hoje é algo histórico para o Estado, queremos fazer parte do PIB [Produto Interno Bruto] do Estado - destacou.
Em discurso, o governador de Roraima, Anchieta Júnior, destacou a importância da criação da cooperativa e afirmou que as comunidades deram o primeiro passo rumo a uma economia sustentável, capazes de se organizar em prol crescimento próprio.
- Existem também as belezas de Normandia e Pacaraima que não podem ser desprezadas. Estamos atuando no apoio. Com esse modelo de cooperativa, eles vão conseguir tirar dividendos culturais econômico-político para que tenham dignidade - ressaltou.
Para o secretário do índio, Jonas Marcolino, o momento representa o plantio da semente do desenvolvimento, pois estão buscando meios de caminhar sozinhos.
- Estamos começando a caminhar com as próprias pernas, não desmerecendo, é claro, toda ajuda que recebemos do governo, mas a população indígena precisa destas iniciativas para se firmar - disse.
/ política / Café com o presidenteCELULAR RSS O Portal de Notcias da Globo
22/06/09 - 07h01 - Atualizado em 22/06/09 - 09h40
Governo propõe parcerias para desenvolvimento da Amazônia No 'Café com o Presidente', Lula falou sobre programas do governo. Ideia é combinar produção agrícola e preservação da floresta.
Do G1, em São Paulo Tamanho da letra A- A+ O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou em seu programa de rádio semanal, o “Café com o presidente”, que foi ao ar na manhã desta segunda-feira (22), sobre os projetos do governo para a Amazônia lançados na semana passada.
"Primeiro nós tínhamos lançado o Mutirão Arco Verde, que era uma ideia da gente diminuir o desmatamento na Amazônia. E para que não ficasse a ideia de que nós queríamos apenas proibir e castigar pessoas ou punir pessoas, lançamos o programa Terra Legal. E o programa Terra Legal significa que a gente vai regularizar quase 300 mil propriedades no campo, nos próximos três anos", explicou o presidente Lula disse ainda que o governo quer trabalhar com os governadores da região Norte do país e com os prefeitos das 43 cidades que são responsáveis pelo maior percentual de desmatamento. "Uma parceria para que a gente combine a produção agrícola, a utilização correta da floresta para produzir madeira e, ao mesmo tempo, garantir que o governo federal vai contribuir com a população que vai preservar", afirmou.
De acordo com o presidente, o governo quer tratar os agricultores como parceiros e "estabelecer uma lógica de procedimentos entre o governo federal, o governo estadual, prefeitos e os produtores, para tirar proveito da manutenção da floresta".
O presidente também fez um balanço do programa Mais Alimento, lançado no meio do ano passado para ajudar a desenvolver a agricultura familiar no país e combater a crise da alta no preço dos alimentos.
"O incremento na produtividade, mesmo com as secas e enchentes, que tiveram impactos negativos nos resultados, foi de 7,8 milhões de toneladas. Na produção de leite, por exemplo, o aumento de produtividade chegou a 18,25% e na produção de mandioca foi de 13,4%", exemplificou.
'Continuem participando', diz Minc a internautas do Globo Amazônia Denúncias do portal são usadas para ações, diz ministro. Confira as reportagens com participação dos leitores.
Do Globo Amazônia, em São Paulo Tamanho da letra A- A+
Na entrevista exclusiva que concedeu ao Globo Amazônia, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pediu que os internautas continuem protestando contra a devastação da floresta no portal.
Asssista ao lado à declaração do ministro.
“Várias das ações do ministério são olhando os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e as denúncias do portal”, afirmou o ministro.
“Quero incentivar as pessoas a continuarem”, disse.
Desde seu lançamento, mais de 500 mil pessoas instalaram o aplicativo Amazônia.vc e registraram mais de 45 milhões de protestos contra o desmatamento e as queimadas na região. As manifestações dos internautas e as denúncias deram origem a diversas reportagens. Releia abaixo algumas delas:
Barco naufraga em Manaus e derrama 5 mil litros de óleo no Rio Negro
Internauta encontra inseto que se 'fantasia' de folha
Líder do ranking de protestos se considera um 'radical'
Desmatada, floresta nacional em Rondônia tem até cidade
Expedição indígena flagra invasão de reserva em MT
Internauta pede ajuda para gerar renda em área de floresta em Rondônia
Contra desmatamento, Maggi defende conversão de pastos em plantações
Brasil deveria se unir a vizinhos contra a devastação, sugere internauta peruano
Frigorífico causa desastre ambiental em rio de Mato Grosso
Frigorífico nega envolvimento em desastre ambiental ocorrido em MT
Líder do ranking promete protestar contra novos desmatamentos 'em meia hora'
Ambientalista flagra queimada em floresta no sul do Pará
Sem barcos, Ibama de Parintins (AM) não consegue fiscalizar madeireiros
'Maior ponte de madeira do mundo' é alvo de ação do Ministério Público do Pará
Internautas fazem novos amigos enquanto protestam contra a devastação
Madeireiras devastam reservas indígenas no Maranhão
Internauta flagra bicho-preguiça que escapou de queimada em MT
Internautas notam desmatamento maior no mapa do Globo Amazônia
Protestos dos internautas dão apoio à fiscalização, diz gerente do Ibama
Árvores em extinção se transformam em postes de cerca em MT
Alertado pelo mapa Amazônia.vc, Ibama do Amapá fiscaliza queimada
Senadora usa protestos do Globo Amazônia para defender floresta
Polícia resgata seis tartarugas apreendidas com pescador no MT
Usuários elogiam Amazônia.vc e cobram iniciativas da sociedade e do governo
Reduzir consumo de carne não diminui desmatamento, diz ambientalista
Internautas criam mais de 60 grupos virtuais para proteger a Amazônia
Marina Silva é premiada na Noruega por sua luta pela Amazônia Prêmio Sophie foi entregue por ministro norueguês. Distinção foi criada pelo escritor Jostein Gaarder.
Da Efe
Foto: Divulgação A senadora Marina Silva recebe prêmio em Oslo. (Foto: Divulgação) A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-AC) recebeu nesta quarta-feira (17), na Noruega, o Prêmio Sophie de Meio Ambiente por sua luta pela preservação da Amazônia.
Marina recebeu a distinção das mãos do ministro do Meio Ambiente norueguês, Erik Solheim, numa cerimônia em Oslo.
No ato, também esteve presente Nina Drange, presidente da Fundação Sophie, instituição que desde 1997 entrega a honraria, criada pelo escritor norueguês Jostein Gaarder ("O Mundo de Sofia") e sua mulher, Siri Dannevig.
Marina foi anunciada como vencedora do prêmio, de US$ 100 mil, em 1º de abril. Segundo a Fundação Sophie, ela foi escolhida por seu "compromisso com a defesa da Floresta Amazônica".
Os jurados que votaram na ex-ministra também destacaram o fato de a ativista e política ter dedicado a vida à região e de o "trabalho, a coragem e os resultados" obtidos por ela serem "incomparáveis".
"Se achamos que o nosso objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela terra é acumular riquezas, então não temos nada a aprender com os índios. Mas se acreditarmos que o ideal é o equilíbrio do homem dentro da sua própria família, e dentro de sua comunidade, então os índios têm lições extraordinárias para nos dar."(Claudio Villas-Bôas ; sertanista) "O índio estacionou no tempo e no espaço. O mesmo arco que ele faz hoje, seus antepassados faziam há mil anos. Se eles pararam nesse sentido, evoluíram quanto ao comportamento do homem dentro da sociedade. O índio em sua tribo tem um lugar estável e tranquilo. É totalmente livre, sem precisar dar satisfações de seus atos a quem quer que seja. Toda a estabilidade tribal, toda a coesão, está assentada num mundo mítico. Que diferença enorme entre as duas humanidades: uma tranquila, onde o homem é dono de todos os seus atos. Outra, uma sociedade em explosão, onde é preciso um aparato, um sistema repressivo para poder manter a ordem e a paz dentro da sociedade." (Orlando Villas-Bôas ; sertanista) "As diferenças superficiais entre os homens encobrem uma unidade profunda."(Claude Lévi-Strauss; antropólogo) "O índio brasileiro tem direitos. Direitos definidos na Constituição. Eu insisto neste ponto, na existência de direitos, porque tenho ouvido e lido palavras a respeito da conveniência de respeitar esses direitos. No momento em que eu abandono a Constituição, acabou o Direito, acabou a Justiça, acabou a paz social. Não há inconstitucionalidades convenientes"(Dalmo Dallari ; jurista) "Em vários grupos indígenas brasileiros se encontra a visão de que é preciso 'amansar o branco', fazê-lo ver que a vida não pode fundar-se na devastação." (Washington Novaes; jornalista) "Um parâmetro para medir a felicidade é a capacidade de sorrir. Os índios têm essa capacidade de sorrir e brincar, talvez pelo desapego a algumas coisas as quais estamos presos." (Sidney Possuelo; sertanista)"São comuns as narrativas em que os índios aparecem como irresponsáveis predadores da própria natureza em seu todo; matando, destruindo, incendiando. Absurdo. Como ninguém, eles se consideram parte da Natureza em que vivem, têm por ela um respeito que nossa civilização perdeu há muito tempo." (Orlando Villas-Bôas ; sertanista) falando sobre o passado: "Nenhum povo pode deixá-lo perecer antes de haver tomado consciência, inteiramente, de sua originalidade e de seu valor, e antes de tê-lo memorizado. Isto é uma verdade geral, porém mais ainda no caso desses povos que se encontram na situação privilegiada de viver seu passado no momento exato em que, para eles, um futuro diferente se delineia."(Claude Lévi-Strauss; antropólogo) "Os índios não têm o fanatismo da verdade. Várias versões discrepantes sobre os mesmos eventos são perfeitamente assumidas." (Darcy Ribeiro ; antropólogo, no livro 'Diários Índios') sobre os índios Guarani-Kaiowá: "... em poucos povos se testemunha uma religiosidade tão intensamente vivida: queremos ser deuses, eles dizem; mas só somos homens" (Pierre Clastres ; antropólogo) "...há também o grave problema do relacionamento entre os índio e o elemento humano vindo de fora, isto é, o civilizado. De que forma se poderia conciliar as duas sociedades ? Uma estável, ajustada ao meio, equilibrada, apoiada em padrões culturais bem definidos; e outra adventícia, desordenada, que chega para transformar florestas em pastagens e cujos membros não mantém entre si nenhum vínculo, exceto o mesmo e constante propósito de obter lucros." (Orlando Villas-Bôas ; sertanista) "É muito difícil entender outra pessoa. Às vezes são línguas, comportamentos diferenciados que não conseguimos entender, mas isto não é importante. O importante é respeitar, vamos respeitar o diferente. Somos seres humanos; passamos 60, 70 anos nesta terra e depois vamos embora. Devemos então ter solidariedade." (Sidney Possuelo; sertanista)"Por quê não perpetuar, mesmo colocando-os somente por escrito, velhos hábitos e costumes que estão de toda forma condenados ? Quanto menos lhes prestarmos atenção, mais depressa hão de desaparecer. Nós mesmos, em alguns períodos de nossa história, não teremos cedido às mesmas ilusões e fomos obrigados, mais tarde a multiplicar esforços para reatar com um passado cujas raízes havíamos querido cortar?"(Claude Lévi-Strauss; antropólogo) "Poderíamos dividir os políticos: aquele que vê as razões do índio e aquele que vê o problema em função dos seus próprios interesses."(Orlando Villas-Bôas ; sertanista) sobre críticas à atividade fotográfica em aldeias indígenas: "É algo que dói ouvir, mas não me sinto atingida e jamais me desmotivei por isso. Tenho convicção de que não levei elementos negativos a nenhum desses lugares. Isso não tem relação com a fotografia em si, mas com a qualidade do ser humano que para lá se dirige, ou seja, com a integridade da pessoa e com sua postura ética. Podem ser fotógrafos, antropólogos, geólogos, o que quiser - e obviamente políticos também. Temos de considerar sua postura frente ao ser humano em sua totalidade." (Claudia Andujar ; fotógrafa) sobre o povo Guarani: "Eles são muito mais abertos do que nós para aprender as coisas dos outros, eles dialogam com a gente. O dialogo intercultural não somos nós que fazemos, são eles. Quantos de nós falamos Guarani? E quantos deles sabem português? A maioria. Eles aprendem, mas também estão escolhendo não sair do modo de vida deles. É uma escolha positiva, não é porque não saibam sair, é que não querem sair. Estes povos são exemplos pra nós de dialogo intercultural, que não e botar água no vinho e fazer uma coisa que não é nem água nem vinho. Diálogo cultural é beber água e beber vinho." (Bartolomeu Meliá ; jesuíta)"Eles (os índios) precisam ser ouvidos e não tutelados ou tratados arbitrariamente. Os índios não estão em vias de extinção. Se encontram, como grande parte da população, sob risco de miséria, de falta de assistência médica, educação, e de incentivo a práticas de geração de renda. Mas continuam aumentando sua população e etnias, totalizando hoje cerca de 700 mil (pessoas)." (João Pacheco de Oliveira; professor do Departamento de Antropologia do Museu Nacional / UFRJ)"O que mais me chamou atenção no (Parque Indígena do) Xingu foi a doçura das relações. As pessoas daquele lugar são uma maravilha! Fui para lá acompanhado de um assistente, que é francês, e ele disse uma coisa engraçada e que caracteriza bem o clima de lá: 'aqui a gente não viu nem cachorro brigar, não é Sebastião!'. E foi assim mesmo, a gente não viu agressividade entre as pessoas, o que é tão comum hoje em dia em vários lugares do planeta, não é mesmo ? Mas lá não tinha."(Sebastião Salgado; fotógrafo)sobre os índios: "Sabe da civilização que vem e é inevitável, mas nem suspeita do seu horror, que virá destruir a adaptação ecológica e a convivência solidária que têm, raríssima. Nossa civilização é incapaz de criá-las ou preservá-las. No mundo inteiro seu papel foi destruí-las, empobrecendo, apropriando, dizimando os povos que encontrou." "Não podemos pensar numa sociedade sustentável se os lugares aonde as pessoas vivem, trabalham e estudam não forem erguidos sob os paradigmas de uma arquitetura verde, sustentável."Moises Diniz