sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Tribo de índios Guarani-Kaiowá ganha tempo antes de deixar fazenda no MS

Tribo de índios Guarani-Kaiowá ganha tempo antes de deixar fazenda no MS Decisão de juiz federal não remete a reintegração de posse Publicado em 26/10/2012 às 16h29: atualizado em: 26/10/2012 às 16h35 Da Agência Brasil copiado e colado por Rosy Lee Brasil Os 170 índios guaranis-kaiowás que há quase um ano ocupam parte de uma fazenda da cidade de Iguatemi, a cerca de 460 quilômetros da capital sul-matogrossense, Campo Grande, e cuja situação ganhou destaque nacional nos últimos dias não terão que deixar a área. A medida vale pelo menos até que a real situação da propriedade seja esclarecida ou que laudos antropológicos descartem se tratar, como afirmam os índios, de terra tradicional indígena. Segundo a Justiça de Mato Grosso do Sul, diferentemente do que os índios, as organizações indigenistas e o próprio MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul chegaram a anunciar, a decisão do juiz federal Sergio Henrique Bonachela, da 1ª Vara Federal em Naviraí (MS), constitui liminar de manutenção de posse e não de reintegração da área ocupada por 100 adultos e 70 crianças guaranis kaiowás desde novembro de 2011. A Agência Brasil entrou em contato com a Justiça Federal em Mato Grosso do Sul na manhã desta sexta-feira (26) e continua aguardando uma posição oficial sobre o assunto. O detalhe jurídico que passou despercebido por muitos pode parecer trivial, mas, na prática, significa que o oficial de Justiça encarregado de fazer cumprir a sentença vai limitar-se a notificar os índios de que o terreno pertence, até prova em contrário, aos proprietários da Fazenda Cambará. O objetivo de uma liminar de manutenção é apenas preservar a posse de quem já vinha ocupando a área até que a situação seja esclarecida. Mesmo assim, a Funai (Fundação Nacional do Índio) e o MPF ajuizaram recursos contra a decisão no dia 16 de outubro e aguardam o julgamento. De acordo com o promotor da República Marco Antonio Delfino, foram os próprios responsáveis pela fazenda que solicitaram a manutenção de posse. A decisão do juiz federal, favorável ao pedido, foi dada no último dia 17 de setembro. Como não há representação da Justiça Federal em Iguatemi, a incumbência de notificar o grupo indígena foi repassada à Justiça Estadual, por meio de carta precatória. Legalmente, o prazo para que o oficial de Justiça local notifique todo o grupo termina no próximo dia 8. O juiz federal diz, em sua decisão, que "nestes autos, não cabe discutir a quem pertencem as terras a que se refere o pedido. A proteção à posse, conferida por meio dessa classe de ações, é conferida até mesmo contra o legítimo proprietário, pois a razão de ser dessa proteção legal é a pacificação social mediante a vedação ao desapossamento por ato de particular, seja violento, seja clandestino". — O reconhecimento do direito do autor [da ação, o dono da fazenda] em nada constitui desprezo ou indiferença com a situação da comunidade indígena, parte mais fraca e vítima da inércia dos órgãos públicos que já deveriam ter feito, há muito tempo, a demarcação das terras que possam lhe pertencer, podendo até mesmo conferir-lhe a titularidade das terras em litígio nestes autos. Segundo o diretor do cartório do Fórum de Iguatemi, Marco Antonio Arce, o oficial de Justiça só não começou a notificar antes os guaranis kaiowás devido à repercussão que o assunto ganhou nos últimos dias por causa da interpretação de uma carta que lideranças indígenas tornaram pública. No texto endereçado ao governo e à Justiça brasileira, os líderes indígenas falam na possibilidade de “morte coletiva” ao referir-se aos possíveis efeitos da decisão da Justiça Federal. Dizem que, após anos de luta, o grupo já perdeu a esperança de sobreviver “dignamente e sem violência” na região onde, segundo eles, estão enterrados seus antepassados. Por fim, informam, em tom de ameaça, que decidiram “integralmente não sair com vida e nem mortos” e pedem que, se for determinado que eles saiam da área, governo e Justiça enviem "vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar" os corpos. Embora a palavra suicídio não seja empregada nenhuma vez, a interpretação de que o grupo estaria ameaçando se matar em sinal de protesto gerou uma onda de comoção que ganhou as redes sociais e chegou a ser noticiada por veículos de imprensa internacionais. De acordo com o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), embora, na carta, o grupo não tenha falado em suicídio, mas sim “em morte coletiva no contexto da luta pela terra”, a medida extrema tem sido recorrente entre os índios. A organização afirma que a situação de confinamento em áreas exíguas, a falta de perspectivas, a violência aguda e a impossibilidade de retornarem às terras tradicionais a que estão sujeitos os vários grupos indígenas que vivem no estado levaram ao menos 555 índios a, isoladamente, tirar a própria vida entre os anos 2000 e 2011. Especificamente em relação aos guaranis-kaiowás, o Cimi lembra que, embora já haja 43 mil deles espalhados por Mato Grosso do Sul, apenas oito terras indígenas foram homologadas para o grupo desde 1991. De acordo com o Ministério Público Federal, até três meses antes de ocupar dois dos 762 hectares da Fazenda Cambará, os 170 índios viviam acampados às margens de uma estrada vicinal, na mesma cidade. Na noite de 23 de agosto, o acampamento foi supostamente atacado por pistoleiros que, segundo os índios, atearam fogo nas barracas e feriram várias pessoas. O MPF tratou o episódio como genocídio e pediu à Polícia Federal que apurasse as denúncias. Ainda segundo o MPF, a área ocupada faz parte de uma reserva de mata nativa, que não pode ser explorada economicamente e está sendo estudada por antropólogos da Funai que, em breve, devem divulgar suas conclusões.
http://www.youtube.com/watch?v=SnVqafGCE6c&feature=share

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Segue tensão na fronteira Brasil-Peru


Segue tensão na fronteira Brasil-Peru

22 de Agosto de 2011

Maria Emília Coelho Atualização Rosy Lee Brasil.



Segue tensão na fronteira Brasil-Peru



A situação continua tensa na Terra Indígena Kampa e Isolados do Rio Envira, área de proteção de povos indígenas isolados no Acre, região de fronteira com o Peru. O lugar foi invadido no mês passado por peruanos armados ligados ao narcotráfico. Durante a semana passada, tiros foram ouvidos a menos de dois quilômetros da base. Rastros de isolados foram encontrados perto do local na segunda, dia 15 de agosto.

A equipe da Força Nacional chegou quinta-feira passada à base do igarapé Xinane, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), para substituir os seis homens do Batalhão de Operações Policiais Oficiais (Bope) do estado do Acre que estavam na base desde o dia 7 de agosto. Antes, uma equipe da Polícia Federal esteve presente na região para realizar uma operação que capturou Joaquim Fadista, narcotraficante português que atua no Peru.

O sertanista José Carlos Meirelles, que permanece na base do Xinane com os dois mateiros, Francisco de Assis (Chicão) e Francisco Alves de Castro (Marreta), enviou notícias por email: “São onze da noite e o tiro de fuzil aqui pra cima do rio Envira foi ouvido novamente. Penso mesmo que os peruanos vão botar roçado e morar por aqui. Ou seja, não têm a mínima intenção de ir embora. Afinal, ninguém os perturba”.

A ordem dada aos homens da Força Nacional é que a movimentação seja feita num raio máximo de 500 metros da base. “Nosso plano era bater uns igarapés para ver se los hermanos não estão escondidos. Mas ficou apenas no plano, a ordem é só fazer a segurança da base. Ninguém ainda se dispôs a bater realmente estas matas e desvendar o que estas pessoas, que continuam aqui, fazem e querem”, reclamou o sertanista, que coordenou a Frente Envira da Funai por 23 anos. Hoje, ele trabalha na Assessoria Indígena do governo do Acre.

Meirelles contou que viu rastros de isolados no igarapé Xinane há cerca de uma semana. “Fui com os mateiros pegar uns peixes e vi o rastro de dois índios subindo por dentro da água aqui perto da base. Eles não são bestas de andar na praia. Estão monitorando essa maluquice toda por aqui”. O sertanista também está preocupado com o “day after”. “Adivinha pra quem vai sobrar flecha?”.

Nenhuma instituição do governo peruano se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido até agora. O Instituto Nacional de Desenvolvimento dos Povos Andinos, Amazônicos e Afro Peruanos (INDEPA) pediu nesta semana para o órgão indigenista brasileiro informações mais detalhadas e georreferenciadas do local para se manifestar sobre a invasão no Acre.

Até o momento não existe nenhum plano de ação, em coordenação bilateral dos governos de Peru e Brasil, para a proteção dos isolados. Na pouco mais de uma semana a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) realizou em Brasília a primeira reunião do Projeto “Marco Estratégico para a elaboração de uma agenda regional de proteção dos povos indígenas em isolamento voluntário e em contato inicial”.

Para Meirelles, os índios isolados da região são os verdadeiros donos desse pedaço de Amazônia e serão os que, mais uma vez, pagarão o maior preço pela invasão de suas terras: “O que realmente aconteceu com índios isolados, só os urubus sabem”.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Índios que protestaram em hidrelétrica do Nortão querem 5% do lucro

13 de Junho de 2011 - 17:39
Índios que protestaram em hidrelétrica do Nortão querem 5% do lucro
Fonte: Só Notícias/Weverton Correa
Atualização Rosy Lee Brasil

O mais de 200 índios de diferentes etnias que fizeram protesto na Usina Hidrelétrica de Energia (UHE) Dardanelos, em Aripuanã, querem a participação de 5% no lucros da produção de energia. Audiências com representantes do governo federal para tratar da legalidade foi o acordo acertado para que deixassem as instalações, de acordo com o coordenador regional da Fundação Nacional do Índio em Juína, Antônio Carlos Ferreira de Aquino. "Eles querem este percentual de participação de forma permanente", disse, em entrevista ao Só Notícias.

De ante mão, ele ressaltou que empresa informou não ter condições de atender ao pedido dos grupos indígenas. Nas audiências, marcadas para dias 27 e 28, na sede da Funai em Brasília, as obrigações dos indígenas e da empresa serão colocadas em pauta, e se, realmente, o pedido de participação no lucros é legal. Deverão estar presentes membros dos Ministérios de Minas e Energia, Justiça e Meio Ambiente, Ministério Público Federal, Casa Civil e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O empreendimento, que tem capacidade para gerar 261 megawatts de energia a partir do rio Aripuanã, foi concluído ano passado, após três anos de obras, mas ainda não está em operação. Falta viabilizar uma linha de transmissão ao Sistema Nacional de Energia.

Os índios também querem a cessão de dois ônibus e a construção de moradias, que foram prometidas no Plano Básico de Meio Ambiente, para compensar os danos causados pela obra a cerca de 1 mil indígenas da região. O acordo foi feito durante o processo de negociação para construção da usina, mas ainda não foram cumpridos. Conforme Só Notícias informou, os índios deixaram a hidrelétrica, onde estavam desde quarta-feira (8), neste final de semana.